Entrevista Capa
Andrea Beltrão fala de carreira, de desafios e de Donald Trump “o planeta já era”

         


Andrea é um ser humano interessante. E bota interessante nisso.
Carioca da gema, adora tagarelar sobre trabalho e até se perde no tempo. Então, é fato que o papo com a equipe da Revista TUdo foi longo, até doer a língua.
Ela respira trabalho, resultado de uma carreira consistente que comemora 40 anos e consagrada pela interpretação de personagens complexos, especialmente no teatro. Aliás, quatro décadas que lhe renderam um modo nu e cru de ver a vida.
“O tédio da plateia é um problema meu! Não é porque eles não entenderam a peça. Eu não soube contar, falar, fiz alguma coisa. Ou seja, fiz merda (risos). Fiz errado! Quando eu erro, paro, e vou novamente”, conta ela sobre o seu primeiro monólogo (Antígona) – no qual se atira de corpo e alma no fascinante mundo criado pelo dramaturgo grego Sófocles há mais de 2 mil anos - escrita no ano de 441 a.C. – A atriz contou porque demorou tanto tempo para encarar os palcos sozinha e quem lhe encorajou a seguir em frente. “É muito aflitivo ficar sozinha na imensidão do palco. Na verdade, quem me empurrou para esse abismo foi a Fernanda Torres”, revela.
O legal é que o texto é uma releitura de uma tragédia grega, levando o espectador a refletir sobre os atuais acontecimentos no mundo. “Quando estreamos a peça no ano passado, Donald Trump foi eleito o presidente dos Estados Unidos. Bateu um desespero! Pensei na 3ª Guerra Mundial, que o planeta já era, que acabou tudo e tal. ‘Um bom governante constrói pontes e não muralhas’, o Papa Francisco disse isso. Eu amo o Papa”, comenta.
Com planos traçados para o próximo ano na televisão, Andrea se prepara para viver Verônica, um filme que de tão bom vai virar uma série. “Por enquanto, no elenco sou apenas eu, mas não será um monólogo (risos)”, brinca a atriz.
Mergulhe, a partir de agora, no corajoso mundo de Andrea.
E entenda porque ele é tão corajoso.



Após 40 anos de teatro, você estreia seu primeiro monólogo, (Antígona), um texto complexo escrito por Sófocles há mais de dois mil anos. O que te fez querer contar essa história?

Eu queria fazer algo que nunca havia feito e que fosse diferente, que me colocasse fora da zona de conforto. Não que os trabalhos anteriores tenham sido fáceis, mas esse foi bastante arriscado num certo sentido. Correr risco é maravilhoso, mesmo que dê tudo errado. Quando eu comecei a trabalhar com o Amir Haddad (diretor) nessa história, não tínhamos expectativa e nem sabíamos se a história se tornaria realmente uma peça. Nós estamos experimentando. Isso trouxe liberdade e uma falta de expectativa, uma serenidade, uma coisa boa para o trabalho, muito sincera, honesta e desarmada.

Em uma de suas entrevistas, você comentou que tinha medo de estrear sozinha. Esse medo já passou ou é algo que ainda te assombra?
É muito aflitivo ficar sozinha na imensidão do palco. Uma das coisas maravilhosas do teatro é contracenar. Para mim, o teatro sempre foi estar com os outros contando histórias, a trupe, o grupo. Eu tinha muita aflição do monólogo, por isso, nunca quis fazer. Na verdade, quem me empurrou para esse abismo foi a Fernanda (Torres). Estávamos fazendo ‘Tapas e Beijos’ juntas e ela faz ‘A Casa dos Budas Ditosos’ há mais de dez anos; onde ela vai é multidão. Deve ser dificílimo ela pensar em parar de fazer. Num dia, almoçando juntas, comentei que tinha inveja dela, porque deveria ser tão gostoso. Ela comentou que eu também poderia fazer. Ela perguntou qual era a peça que eu mais gostava e eu comentei sobre ‘Antígona’. Ela me colocou em contato com a família do Millôr (Fernandes) para pegar a tradução. Pensei: ‘Agora vou ter que fazer, não tem mais volta’. De certa maneira, ela foi minha madrinha.

Nessa peça, são muitos personagens importantes. Como você conta a história da Antígona, já que tem Creonte, Ismênia, Édipo... Como foi o processo de transformação do texto original para um monólogo?

Quando começamos a trabalhar já era uma preocupação de como faríamos porque são muitos personagens. Nós íamos fazer a peça na íntegra? Agora sou Ismênia? Antígona? Um que pergunta e outro que responde? Seria muito maçante para o público e ninguém aguentaria. O Amir teve a sacada de voltar para o mito; antes de Sófocles existia o mito. Fomos para o primeiro antepassado de Antígona. Quando chegamos na Antígona, o Amir me deu uma tarefa que era contar a história para ele. Muita morte, assassinato, filho transando com a mãe, filho matando o pai, irmão matando irmão, era uma coisa de louco! Fizemos uma redução e criamos a árvore genealógica. Os personagens entram numa medida muito precisa para contar a história da Antígona; ela é uma pacifista, humanista, a maior de todas. Ela vai contra tudo e todos, vai de encontro com a morte, é emparedada viva porque não admite deixar que o corpo do irmão Polinice seja comido pelos abutres. É por amor que ela faz isso! Rebelde é o seu tio, o rei Creonte, que desorganiza tudo a partir de uma lei que ele inventa. Ele subverte toda a cidade e tudo acontece em volta.

O texto retrata muitas falas intensas, reflexivas. Para você, qual delas mais te impactou como ser humano?

São muitas! Cada um com a sua propriedade, imensidão, vastidão. Um dos momentos que eu mais gosto é quando Antígona está sozinha sendo emparedada viva, mas ela sabe que vai ao encontro dos seus familiares. Sua irmã Ismênia tem uma fala assim: ‘Que fim será o nosso? Muito mais miserável do que todos, se desprezarmos um decreto. Temos que lembrar primeiro que nascemos mulheres; não podemos competir com os homens; segundo somos todos dominados pelos que tendem a força. Temos que obedecer; não apenas nisso, mas em coisas bem mais humilhantes. Peço perdão aos mortos, que só a terra os oprime. Não tenho como resistir aos poderosos. Constrangida eu obedeço. Demonstrar revolta é inútil, é pura estupidez’. Uma mulher dizendo isso! São muitas falas que você tira da peça e coloca em qualquer lugar. As pessoas perguntam se nós escrevemos as falas. Não! Foi um senhor chamado Sófocles.

Essa fala é realmente muito atual. Você acredita que essa peça tenha o poder de fazer as pessoas refletirem sobre os mandos e desmandos do Creonte nos dias de hoje?
Incrivelmente, parece que esse texto foi escrito ontem, porque ele fala de tiranos, de pessoas que tenham uma coragem gigantesca pra fazer coisas que elas acreditam e que devam ser feitas. Vão até o fim de tudo por mais que doa, por mais que elas enfrentem a incompreensão dos outros. Mas vamos pular essa parte (risos); tem muito fora Temer, mas tem gente que gosta dele e estará assistindo à peça; mas o Temer é um sub Creonte. Eu penso mais no Donaldo Trump, ele sim é um Creonte. Quando estreamos a peça no ano passado ele foi eleito o presidente dos Estados Unidos. Bateu um desespero! Pensei na 3ª Guerra Mundial, que o planeta já era, acabou tudo e tal. No Rio de Janeiro e em são Paulo fizemos uma coisa muito legal, que foi a linha do tempo com vários acontecimentos como, por exemplo, quando o Brasil ganhou a copa, quando a empregada doméstica Marli Oliveira foi atrás dos assassinos de seu irmão, em 1980. Vale do Rio Doce que sofreu. Já estava na gráfica quando o Trump foi eleito e tínhamos que colocá-lo na nossa linha do tempo. Para nós, fez todo sentido. Quando começamos a fazer esse trabalho, a situação do país era totalmente diferente. Nada tinha acontecido; a Dilma (Rousseff) não tinha caído, o governo estava correndo. O Amir me questionava porque eu queria montar essa peça. Sinceramente eu não sei a razão. Num momento, olhamos um para o outro e descobrimos. Tudo o que falamos na peça é o que nós queremos falar hoje. ‘Um bom governante constrói pontes e não muralhas’, o Papa Francisco disse isso. Eu amo o Papa! Não tenho religião, mas eu o amo (risos).

Já que você tomou coragem em fazer seu primeiro monólogo, existe a possibilidade de você trabalhar outros textos?

Tem um que eu já entreguei para o Amir, mas ele ainda não leu porque trabalha muito. É um romance. Chama-se ‘O Primeiro Homem’, de Albert Camus. É maravilhoso, mas, não sei se vai dar certo; talvez a gente descontrua e o guarde na gaveta e, daqui uns 40 anos, a gente monte (risos). Mas é uma ideia.

Existe um crescente número de atores novos na televisão, mas sem formação no teatro. Comente.

As vezes chega uma pessoa que nunca fez e tem fome e sede; é espantoso. Depende da coragem porque no teatro você tem que deixar se devorar e estar disposto a perder tudo. De repente, 40 anos de estrada não quer dizer nada para aquele que tem seis meses, mas é doido suficiente. Muitas vezes, nós também ficamos engessados na vida.

Você faz muita expectativa do que as pessoas possam achar desse novo trabalho?

Nenhum! É um papo, uma conversa. Nós não esperamos nada! Nós fazemos! Aproveitamos o palco, o lustre, a parede, a gente faz! A mensagem seria uma pretensão, uma blasfêmia. Não temos mensagens. Está tudo ali sendo dito.

Mas quando você está encenando, qual a sensação e a resposta da plateia? Como você se sente?

Que eu não estou sozinha e todo mundo está no mesmo barco. O tédio da plateia é um problema meu! Não é porque eles não entenderam a peça. Eu não soube contar, falar, fiz alguma coisa. Eu lido de maneira crua e fria. Ou seja, hoje eu fiz merda (risos). Fiz errado! Quando eu erro, paro e vou novamente. O texto fica em cena, porque se me der branco, peço desculpas.

Como você avalia a evolução dos palcos na sua carreira?

Eu não sei avaliar porque sempre fiz; não consigo me ver de fora. Gosto de todos os teatros. Esse teatro, que o Amir me ensinou a fazer, é o teatro que hoje me sinto mais inteira, onde eu não tenho medo de ter branco, de escorregar, me sinto mais livre. Eu fiz uma peça chamada ‘A Prova’ (2003) em São Paulo que era teatro realista, americana, bacana, eu amava fazer. Tenho saudades dessa peça, do personagem. O meu gosto é muito variado. Agora, esse lugar é o mais interessante para mim. Pode ser que no ano que vem eu resolva fazer outra coisa.

E já que você comentou sobre o próximo ano, o que vem de bom por aí?
Para manter o meu teatro no Rio de Janeiro preciso fazer televisão e muitos outros trabalhos. Nós temos o patrocínio da Petrobrás, mas tem também o da Marieta Severo há onze anos. Pretendendo fazer um seriado chamado ‘Verônica’, uma história que se originou do filme, onde eu interpreto uma professora. Já estão escrevendo os primeiros episódios e é voltado para o debate num panorama para discutirmos a questão da educação no Brasil, nas escolas públicas, sobre as dificuldades, a violência. Para isso, temos uma equipe de redatores e uma diretora de escola muito importante no Rio de Janeiro, chamada Eliane. Ela conseguiu transformar a escola num modelo. Esse assunto tem uns oito ou dez anos. Eu e o Maurício Faria, com quem sou casada, estamos mexendo, recortando, fazendo reuniões. Por enquanto, no elenco sou apenas eu, mas não será um monólogo (risos).

Em São Paulo, existe uma variação grande de público e os musicais ganharam mais espaço. Para você é muito difícil concorrer com essas grandes produções?

Não! Não me sinto confortável em classificar o público porque eles vão onde tem uma boa história. Claro que tem mil apelos, essa é outra questão, mas os musicais são bons também. Tem para todos os sabores e cada um faz o teatro que ama, que gosta, que se identifica. E a plateia vai atrás. Gosto de ver os talentos e aquelas atrizes com as pernas lá na PQP. É sensacional. Às vezes a história não me toca, mas admiro. Quanto mais teatro tiver, melhor para todo mundo.



 
Isis Valverde


Mulher Livre, bicho do mato, maravilhosa

Por Michele Marreira

Ter Isis Valverde como entrevistada de capa causou o maior reboliço na redação da REVISTA TUDO. Poxa, mas dá um desconto, né? Protagonista da novela Força do Querer, no papel da Ritinha – que ainda não sabemos se é o anjo ou o demônio da trama – Isis é a grande promessa da dramaturgia brasileira.
Com três década completadas no início de 2017, e depois de ralar muito, talvez ela tenha percebido o momento é de olhar mais para a vida pessoal.
E encarar um casório com o modelo e empresário André Resende, com quem namora há cerca de um ano, pode ser um passo a ser dado neste novo ciclo. E se vem casamento, pode vir um neném... quem sabe?
O talento de Isis se estendeu às telonas na história central em dois filmes: Amor.com e Malasartes.
Apesar de todo o jeito espevitado que mostra na novela, a atriz se considera uma “bicho do mato”. Isis gosta de sossego, de ilha deserta. Nasceu em Aiuruoca, uma cidadezinha mineira com um pouco mais de 6 mil habitantes, segundo o IBGE de 2010.
Com apenas 15 anos foi morar sozinha em Belo Horizonte para se dedicar aos estudos. Trabalhou como modelo – após ser descoberta por um olheiro em um shopping - e as campanhas publicitárias seguraram as pontas.
Três anos mais tarde, decidiu investir na carreira artística no Rio de Janeiro – onde mora até hoje.
Sinal de que deu certo.
Ôôôô se deu.
Depois de alguns testes, em 2006, estreou na TV em sua primeira novela como Ana do Véu no remake de Sinhá Moça. Em Paraíso Tropical, sua personagem Telma morria de forma trágica na trama de Silvio de Abreu. Após Rakelli de Beleza Pura e Camila de Caminho das Índias, recebeu como desafio a responsabilidade de protagonizar Tititi, em sua segunda versão na Rede Globo. À essa altura de sua trajetória, era considerada um dos promissores nomes da teledramaturgia brasileira. Alçou voos mais altos em O Canto da Sereia, Avenida Brasil, Amores Roubados e Boogie Oogie.

Revista TUDO: O que mais te desafiou na hora de construir a Ritinha de A Força do Querer?

Isis Valverde: Foram três meses de preparação. É uma personagem que exigiu muita criação, treino, empenho e coragem. Nadar com tubarão de três metros, rodeada de água-viva, com boto e piranha não é fácil não. O boto não é treinado; é selvagem e ganhei sua confiança. Depois eles começaram a me seguir pelo rio. Mergulhar sete metros de profundidade com a temperatura da água em 17 graus, ficar dois minutos sem respirar em movimento, quase morrendo, é muita coisa! Dançar carimbó é difícil, exige muito do nosso físico. Foi um personagem que chegou e me perguntou: “Isis, você quer me fazer? Eu quero que você me faça, mas vai ter de ralar.” Fora o sotaque.
Nota da revista: Quem não sorri quando escuta Ritinha dizendo: “Éééégua” ou “Lasquei-me”.

Interpretando uma mulher determinada e corajosa na ficção, de que maneira você enxerga a mulher inserida na sociedade contemporânea? Já passou por alguma situação embaraçosa por ser do sexo feminino?
Muitas vezes. Eu sempre cito o exemplo de uma mulher que mora na Bahia, uma motorista. No carro, nós começamos a conversar e ela, sem saber que eu faço parte de um grupo de feministas, começou a me contar o quão difícil era ser motorista, que sempre ouvia que deveria pilotar um fogão e que homens já se negaram a entrar em seu carro pelo fato de uma mulher estar ao volante.
A gente vive esse tipo de situação diariamente.

O que mudou em sua vida com a chegada dos 30?
Fez algum tipo de reflexão mais minuciosa?
Não é refletir e sim elaborar. Aprendi com o meu professor de Filosofia que elaborar é preciso, necessário. Comecei a exercitar isso diariamente. A vida é tão rápida, cada hora estamos em um lugar realizando trabalhos diferentes que, às vezes, não sobra tempo de amadurecer algumas ideias. O que faltava na Isis de dez anos atrás era paciência. No fim, o mundo gira e tudo se resolve.

Você está namorando o modelo André Resende. Já pensam em casamento?
Sim. Estamos vivendo e deixando o relacionamento amadurecer. Penso em construir uma família, até chegar um ponto de ter um neném. Nunca tinha pensado (no assunto) de uma forma tão madura.

Quais são seus planos na carreira?
Quero fazer mais cinema, buscar bons personagens. Procuro me aperfeiçoar cada vez mais no meu trabalho; fui para fora do país estudar, me informar, aprender outro idioma, fiz vários cursos no período sabático que tirei.

Você se arrepende de algo que tenha feito?
Não. Na verdade, derrapei uma vez. Eu alterei a nota de uma prova da aluna do meu pai; ele era meu professor e deu para que eu corrigisse. Na minha sala tinha uma menina que sempre tirava uma nota maior do que a minha. Quando eu a vi tirando 8,5 e eu 8, não me conformei. Mudei uma resposta e fiquei quieta (risos). Meu pai quando percebeu, me chamou e perguntou se eu tinha alterado a nota. Comecei a chorar porque eu não sei mentir. Pedi perdão. Aprendi com esse meu erro. Eu era uma criança, mas nunca mais cometi isso. Mexi com a confiança de quem eu amava muito: meu pai. É interessante aprender com as nossas falhas.

Sua personalidade transmite uma sensação de paz e liberdade ao mesmo tempo. Segue algum mantra?
Sigo um mantra Havaiano maravilhoso: “Te amo, me perdoa, sou grata”. Aprendi com uma maquiadora de cinema. Um dia eu cheguei irritada e achei lindo quando ela me falou isso. A minha raiva foi diluindo.

Os looks que você usa servem de inspiração para muitas mulheres. Como descreve sua relação com a moda?
A minha relação com a moda ficou mais elaborada com o tempo. Eu sou uma menina de cidade do interior. A moda é a ultima a chegar por lá. Eu sempre via muita revista, tentava ficar antenada. Comprava minhas peças. Virei atriz e comecei a me vestir bem. Eu era muito básica: camiseta, calça jeans e tênis. Quando percebi que poderia me vestir e mostrar às pessoas quem era a Isis, comecei a me interessar. Depois que fiz o filme Amor.com no qual entrei no universo das blogueiras, me apaixonei e descobri como me expressar através das roupas. Antes eu vestia uma peça porque me falavam que era a ideal, hoje tenho minha própria opinião.

Peças que não faltam em seu closet?
Peças coringas que complementam o look de alguma forma. Eu descobri que sapatos, bolsas e óculos são indispensáveis. Você pode colocar uma calça jeans retrô com uma blusa preta básica e uma bolsa transada ou um óculos irado que dá um up.
Esses acessórios transformam o visual.

Qual é o seu grau de interação nas redes sociais?
Eu tenho Instagram, uma verdadeira febre. Virou uma ferramenta de publicidade, trabalho, interação. É uma rede social rica de informações. Hoje em dia faço tudo pelo celular, sou mais ligada no telefone. É mais rápido, não preciso carregar peso.

Tradicionalmente, nesse mês, o enfoque é voltado à campanha Outubro Rosa, que combate o câncer de mama por meio da prevenção. Você já passou por alguma experiência pessoal ou na família? Qual a sua mensagem sobre o tema?
Eu já tive muitas pessoas próximas que passaram por essa situação. Eu percebi que, quando não perdemos a fé e não nos afastamos das pessoas que nos amam, é possível seguir em frente. Minha mensagem para quem está passando por uma situação assim é não seguir sozinha. Se apegue no que fará bem ao seu coração. Uma das minhas melhores amigas de infância, aos 29 anos, acabou de se curar de um câncer; foi um processo bem doloroso para todos nós. Mulheres, previnam-se.
Isis, sua linda
- Isis é fãnzaça de Johnny Depp e Gisele Bündchen;
- seria veterinária se não fosse atriz;
- vivenciar Ritinha tem sido uma realização, já que ama água. Seu sonho é comprar um barco;
- tem intolerância a glúten e alimentos que levam farinha de trigo;
-
foi ela quem pediu para interpretar Maria Lúcia, no filme Faroeste Caboclo.


 

 
Andy Serkis: mestre do corpo, gênio do cinema

Ele quer Oscar! Ele está no Brasil! Ele foi entrevistado pela equipe da TUdo!
Toda essa ansiedade é porque ficar pertinho de Andy Serkis dá aquele frio na barriga, afinal, é ele quem dá vida – emprestando a sua interpretação, seu olhar, gestos e talento - aos maiores personagens digitalizados do cinema, como o esquisitão Gollum, de Senhor dos Aneis, e o primata protagonista César, de Planeta dos Macacos – A Guerra, terceiro e último longa-metragem da trilogia.
Demos apenas dois exemplos de uma nada modesta lista de celebridades virtuais que fizeram de Andy um cara mundialmente reconhecido como pioneiro na técnica de capturar movimentos, uma verdadeira sofisticação computadorizada.
O cinquentão britânico, casado com a atriz Lorraine Ashbourne, é pai de três filhos, mora em Londres e é humilde ao dizer que teve uma formação convencional. Andy começou a lapidar a sua carreira em 1984, interpretando personagens de Willian Shakespeare e, hoje, carrega no currículo o ofício de especialista em performance de captura de movimentos.

Pensa que é fácil? Fazer o que o mestre faz depende de uma parafernália sem fim: são uniformes de malha com pontos de referência, capacetes com câmeras voltadas para o rosto e uma série de outras geringonças que ajudam a captar, inclusive, pequenos gestos como o mexer da sobrancelha.

Em São Paulo, a coletiva de imprensa com Serkis aconteceu no Shopping Eldorado e o entrevistado era só sorrisos.

Também pudera. O ator está rindo à toa com os 220 milhões de dólares atingidos nas bilheterias mundiais com seu último filme.
Planeta dos Macacos, que citamos acima, estreou dia 14 de julho e Andy veio até aqui para divulgar o longa, dar um salve aos brasileiros e, claro, bater um papo com a gente.

Confira!


Como Andy mesmo diz, “O ator realmente se transforma em outra pessoa”. Desde então, o inglês vem dando vida, as criaturas mais famosas no mundo cinematográfico. Por ele, já passou “King Kong”, “As Aventuras de Timtim”, “Star Wars – O Despertar da Força”, e atualmente as três últimas franquias de “Planeta dos Macacos”.

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REVISTA TUDO - A tecnologia na captura de movimentos mudou muito desde que você interpretou Gollum/Smeagol em “Senhor dos Anéis” (2002) no cinema. Como você analisa essa evolução tecnológica?
ANDY SERKIS – É importante entender a captura de movimento. Ela é uma ferramenta e não um gênero. O ator realmente se transforma em outra pessoa. Não se captura apenas a parte física, mas as expressões do rosto, o áudio e tudo que envolve a interpretação. Eu aprendi a manusear o meu corpo. Há alguns anos, esse processo era feito em etapas. Filmava-se os movimentos do ator com uma câmera de 35 milímetros e, em seguida, o material era levado para ser editado em um computador por animadores. Nós tínhamos que repetir os movimentos dentro e fora do set. Quando eu interpretei Gollum/Smeagol (Senhor dos Anéis, 2002) não era fácil capturar as expressões faciais. Já em King Kong (2005) consegui trabalhar com marcadores, mas só em estúdio. Quando começamos a trabalhar Tintim (As Aventuras de Tintim, 2012) também. No Planeta dos Macacos (A Guerra) conseguimos levar a câmera e a tecnologia para o ar livre, em tempo real, com outros atores em cena, interagindo. Essa inovação faz com que a interação entre os personagens seja feita como em qualquer outra filmagem. Essa tecnologia avançada possibilitou melhor qualidade, por exemplo, nos pelos dos animais, na neve que cai. Ela consegue esmiuçar a performance dos atores. Quando trabalhamos com essa tecnologia é importante pesquisar os movimentos. Quando o Steve Zahn (Macaco Mal) começou o trabalho, ele pesquisou. Aliás, esse ator é brilhante! Quando estávamos gravando, era difícil me manter sério, já que ele é do meio cômico. Na maior parte eu sofria bastante, estava sempre apanhando, sendo atacado, tinha uma intensidade muito grande, mas tudo isso ajuda com o personagem.



Esse tipo de atuação nos parece muito mais difícil e complexo do que o tradicional. Aliás, motivo pelo qual muitos acreditam que suas interpretações são dignas de Oscar.
Com certeza existe um preconceito, porque as pessoas se recusam a entender essa tecnologia. A percepção está mudando um pouco, alguns já até reconhecem. Os membros mais velhos do Golden Globe Awards e do Oscar se recusam a entender. Mas é só ver os bastidores. Não é só colocar uma roupa específica, porque a atuação precisa acontecer ali. Quando vou interpretar um personagem, procuro estudar sobre ele. Como ele age, o que ele sente. Foi assim com o César também. A única coisa diferente é a maneira como essas imagens são captadas. Mas a essência é a mesma. Quem sabe daqui uns cinco anos conseguiremos mudar isso. Nós temos muitos jovens que acompanham e gostam dessa tecnologia; muitos fãs estão sempre conectados ao que está acontecendo. Fizemos pela primeira vez, no Reino Unido, uma peça teatral (A Tempestade, de Shakespeare) onde o ator usa um traje de captura de movimento sendo projetado em tempo real, em avatares. Seus personagens surgem em cortinas de fumaça. Conseguimos transmutar o personagem. É mais uma experiência de vida, onde você está inserido e fazendo parte do que está acontecendo.

Em “Planeta dos Macacos – A Guerra”, o César volta com alguns conflitos pessoais. Como você trabalhou essas questões de personalidade?
A verdade é que esse filme trata justamente sobre empatia. Ele tem a habilidade de nos colocar no lugar do outro. Essa é a abordagem do filme, desde o início. Os macacos são uma ótima metáfora para isso, porque apesar de sermos 3% geneticamente diferentes deles, os vemos completamente diferentes. Vivemos num mundo contraditório. O mundo está sofrendo e existem problemas sobre diferenças. Todos os personagens do filme são moralmente dúbios. Não tem vilão ou mocinho. O César matou o amigo dele (Koba, Toby Kebbell) e agora é afetado por essa decisão. Ele se encheu de ódio e é onde ele perde a empatia. O César consegue olhar nos olhos do Coronel (Woody Harrelson), que ele quer matar, e finalmente reencontrar a empatia. As pessoas conversam comigo e ficam emocionadas quando veem os macacos sendo atacados, agredidos, mortos. Elas se conectam com a violência de uma forma muito real. Estamos acostumados a ver violência gratuita, então, a partir desse aspecto, acredito que é muito importante. O diretor (Matt Reeves) conseguiu fazer o César um personagem com defeitos, apesar de ser um bom líder e conseguir resolver conflitos. Mas, na verdade, o que o César não havia entendido era esse ódio que o Koba tinha dos humanos, porque ele (César) recebeu muito amor dos pais humanos. Já Koba foi torturado e traumatizado porque fizeram experimentos com ele. Por isso, quando o César entra nessa jornada do ódio, da vingança, ele passa a entender o lado do Koba. Sinto-me muito privilegiado de passar essa mensagem para milhões de pessoas e, ao mesmo tempo, entretê-las e as fazer pensar, sentir e se conectar com o assunto. Desenvolvemos uma grande história e não há nada previsível. O que é bastante raro num filme blockbuster. Existe uma exaustão e, muitas vezes, os filmes não trazem nada de novo. “Planeta”, não é assim. É inovador. Essa história é construída a partir do nosso tempo atual.

Essa é a terceira vez que você interpreta o César no cinema. O que mudou desde o primeiro, que aconteceu em 2011, até os dias de hoje e quais foram os principais desafios?
O mais cansativo, preciso confessar, foi fazer o César mais novo. No segundo filme, tivemos a preocupação de tornar crível macacos que falam. É quando surge o nascimento da língua e o César se torna cada vez mais parecido com os humanos. É um personagem muito inteligente e nós desenvolvemos a questão da linguagem. Não foi um processo muito fácil. Passamos pela linguagem de sinais e, em seguida, é introduzido a fala, mas ela ainda não é bem pronunciada. Cheguei a usar um protetor bucal para dar o tom de voz para o personagem. Existe uma diferença em termos de articulações nesses dois filmes. O personagem evoluiu não só na parte física. Eu queria mudar o César como líder. Você percebe que ele anda praticamente em pé quase o filme todo. Ele está sempre ereto. Ele é muito humano. Nós buscamos a importância do que afeta a nossa memória física. Eu queria que ele tivesse essa mesma sensação. Adoro esse universo. Como eu disse antes, é a metáfora. Claro que o Matt é um dos melhores diretores com quem eu já trabalhei. E para ele, o que interessa é a performance do ator. Todo movimento é gerado a partir da perspectiva da performance. A câmera segue essa perspectiva do César. Foram cinco meses trabalhando no Canadá, dentro de uma roupa nada confortável.

Com essa tecnologia é possível viver qualquer outro personagem, até mesmo nessa trama. Você toparia, caso surgisse o convite?

Porque não?! Se surgir um personagem no qual eu me conecte, com certeza eu faria. O César é um ser humano na pele de um macaco mas, que de certa forma, é excluído. Esse filme vai tocar as pessoas e emocioná-las. Elas serão educadas a não julgarem o próximo.

Você já falou algumas vezes que enxerga o César como um líder. Para interpretá-lo você buscou inspiração em alguém?
No segundo filme, procurei me inspirar em alguns personagens emblemáticos da história real para dar o tom de liderança que o César precisava ter. Nelson Mandela foi líder de um movimento que sempre prezou pela liberdade do seu povo e de uma sociedade mais igualitária. Mergulhar nessas questões me fez pensar profundamente nisso e me colocou nessa posição de analisar. É um filme que tem filosofia e ação. Um filme de guerra entre macacos e humanos. Na minha visão, o César está levando o seu povo para a terra prometida.

Além de atuar, você também está envolvido num projeto como diretor. O que você pode falar sobre esses novos trabalhos?
Sempre tive vontade de dirigir e tive a sorte de trabalhar com essa tecnologia, porque fiquei dos dois lados. Peter Jackson (premiado roteirista) foi um grande mentor. Quando criei minha própria empresa, (The Imaginarium Studios) a ideia era essa. Se você acha que é difícil fazer o rosto de um ser humano se parecer com a um macaco, tente imaginar uma cobra, uma pantera. Nós estamos trabalhando num novo projeto (Jungle Book) e o ator Christian Bale fará uma pantera (Baguera), Benedict Cumberbatch fará o tigre (Shere Kahn) e a atriz Cate Blanchett interpretará uma cobra (Kaa). Eles estão sensacionais! Eu farei o urso Balu, um personagem bastante complexo. Estamos nos preparando também para lançar outros projetos. Um filme que se chama “Respirar”, que conta a história de Robin (Andrew Garfield) um sujeito que teve poliomielite mas acabou vencendo a doença numa época em que a cura era dificílima. Ele reafirma a vida. É extraordinário! Nós temos uma academia, onde atores podem treinar a técnica e recebemos vários estudantes de tecnologia para estágios.


Alguns trabalhos famosos da Filmografia de Andy
As Aventuras de Tintim 2 – Prisioneiros do Sol
Star Wars – O Despertar da Força
Hobbit
King Kong






 
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